ONDAS E REMANSOS
Não navego por mares de ondas densas, navego no remanso de ventos a desviar, pra bem longe quereis levar minha sentença, pra fós do rio talvez por lá ficar, pisar em novos ares tenha sua recompensa, além do mar na terra enraizar, o deslumbrar da maresia me fez vê a diferença, do mundo alagado a sólida pousada a desenhar, do mais profundo olhar soberba a minha crença, palafitas a punho formatar, encharcar areia não é ofensa, mesmo no lago que arrodeia o lamear, lavar as mãos trêmulas e sedentas, nesta linda transparente vista a brilhar, só o ímpeto ao respingo pode ordenar a sentença, na força da maré o limite ultrapassar !
                                     Wander Gomes

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